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Escrevendo Belas Artes!
Conheçam a arte escrita de Jair F. da Silva Jr., membro da Academia de Letras do Brasil - ALB.
Textos
ESPELHO DE PRATA


(Comece a leitura somente quando iniciar a música; isso irá demorar apenas alguns segundos).
 

Sentada diante de si mesma,
Vê a janela esvoaçante
E a Lua branca refletidas
No grande espelho vitoriano!
 
Abre o porta-joias
Que toca Lua Branca,
E com o brilho argênteo
Do velho Cartão de Dança
Floreado ao estilo Art Nouveau,
Já não se lembra do que naquela
Caixa de Música preservava!
 
Pensa na Lua dos amantes:
Em sua face luminosa
Se mostra apaixonante;
Em sua face obscura
É melancolia pura!
 
Com o vislumbre fantasmal
De uma alma tão próxima da sua
E tão distante do presente,
Toma a peça de prata
Entre as mãos delicadas
E retira a lapiseira!

Busca um nome proibido
Que acelera o coração
Ao virar de cada página!

 
A luz prateada preenche
O quarto escuro junto à brisa
Perfumada e melancólica
– ao romance a noite convida,
para aquecer a solitária alcova!
 
No clímax, fecha a peça
Junto ao seio gélido,
Paralisado e profundo,
Pesado, sem ar junto
À garganta sufocada!
 
No espelho fita as profundezas
Do olhar distante e nostálgico,
E se perde no passado – viaja
no tempo guardado e preservado!
 
Na penteadeira de sonhos
E ilusões, lentamente penteia
Tudo o que não foi; penteia
Melenas de tristeza à guisa
De um longo véu de luto!
 
Viaja ao baile da juventude
E sente no coração o nome
Escrito com amor – tinta
enferrujada pelo tempo!
 
Lembra-se do toque
Trêmulo das mãos;
Lembra-se da respiração
Ofegante e do hálito ao ouvido;
Lembra-se das palavras
Entrecortadas pelo coração
Descompassado a cantar
A felicidade e a sensação
De emocionante novidade!
Lembra-se de belos olhos
A tremeluzirem marejados
– de lágrimas doces de emoção!
Lembra-se da pele perfumada
E da primeira vez que amou – a única!
 
Revê na face a alegria
Que há muito não via!
Revê a alma jovem
Que a dor envelheceu!
 
Maquia o pranto, maquia o luto!
Quisera viver um grande amor
Como Chiquinha e Joãozinho,
Entre Choros e risos,
Mas seu grande amor
– aquele jovem que escreveu
seu nome para a Valsa –
Morreu junto ao passado
Assim como a jovem que ela foi
– filha de pais homicidas
que celebraram felizes
o matrimônio funeral!
 
Quisera ter aquele jovem
No presente, como um presente
Do passado a um futuro descrente,
Desiludido e desolador!
 
Já não vive com o marido
Opressor que abandonou,
Mas a tristeza a persegue
– a leva no coração
que se nega a viver
o presente solitário e ausente!
Já não vive – sua vida
ficou na juventude!
Já não sente o coração
Sem recordar aquele último baile
– os únicos toques que sente
no corpo são os toques pesados
do sofrimento e da aflição!
Já não sente a alma
E já não se reconhece!
 
Morreu para a família e não pôde
Conviver com os amados filhos!
Morreu há muito tempo
Na solidão de um casamento,
E sabe que solitária chegará
Ao alívio da morte derradeira!
 
O grande amor do baile está morto,
Sendo apenas sua sombra aquele
Que envelhecido caminha elegante
Com a consorte refinada e exultante!
 
Quisera estar frente
Ao espelho da alma,
Mas está apenas
Diante de si mesma!
 
Quisera dançar mais uma valsa
Naquele baile da Belle Époque
Onde sentiu o nome do jovem
Que feliz assinou seu coração!
  
18/11/2013

 

(Para reler o Poema, atualize essa página da internet a fim de tocar novamente a música.).

 
Nota sobre o áudio: edição de “Lua Branca”, de Chiquinha Gonzaga (1912). A grande pausa inicial foi inserida para que haja tempo de carregar a página da internet corretamente, independente da velocidade de conexão, e para que a imagem possa ser apreciada antes de começar a música e a leitura. Para reler o Poema, atualize essa página da internet a fim de tocar novamente a música, pois há uma grande pausa no final da música que faz com que demore para ela voltar a ser tocada sozinha. Os que acessarem a página do Poema pelo Recanto das Letras não conseguirão ouvir o áudio, então peço que o leiam no meu Site do Escritor clicando aqui: http://www.escrevendobelasartes.com/visualizar.php?idt=4578179 .

Nota sobre a foto: “Invitation To The Waltz”, de Francesco Miralles Galaup (1895).


Visitem meu Site do Escritor: http://www.escrevendobelasartes.com/
Jair F da Silva Jr
Enviado por Jair F da Silva Jr em 19/11/2013
Alterado em 22/08/2018
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