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Escrevendo Belas Artes!
Conheçam a arte escrita de Jair F. da Silva Jr., membro da Academia de Letras do Brasil - ALB.
Textos
CHERRY BOMB!


Capa: As Fugitivas!
 
Deitado, aos deleites
Da Disco entregue, sentia
Uma envolvente nostalgia!
 
Sintetizadores em meio
Ao baixo pesado e à bateria,
Sempre presentes junto à voz
Alegre e potente das divas!
 
Sinto saudades do sulcado
Vinil de sonoridade brilhante!
Pelo Long Play digitalizado,
Ouço Loleatta Holloway
No refrão: – Oh runaway...
 
Com todo o orientalismo
E psicodelia do momento,
Sinto no refrão um mantra
A evocar uma presença antiga
Menos alegre e dançante,
Mais transgressora e agressiva
– explosiva; vem da infância
A lembrança da adolescente
Rebeldia, do grito erótico
De liberdade a ecoar
Da década anterior,
Grito cantado na voz livre
Do Rock pelas fugitivas
Da misoginia e da ordem
Reacionária estabelecida,
Pelas pioneiras e inovadoras
Púberes transgressoras
Da banda The Runaways!
 
Na bela capa do disco
O sensual e intimidante
Corpo da banda se vê!
 
Vejo os pés firmes ao solo
E membros fortes de Joan Jett
A contrariar seu sobrenome;
Era a
 base sólida e a alma
Inspirada a
 compor a banda
E as músicas em sua guitarra base

– a punk foi do Rock a maior feminista,
o real 
espírito de liderança da banda,
algo que faltava na egoísta vocalista
!
 
O cérebro e a consciência
Podiam ser vistos em Jackie
Fox, a bela raposa astuta!
Sensível e feminina,
Era a jovem tão pura
Quanto a cor e o som
Do baixo Gibson Thunderbird
De coleção – raro e níveo
pássaro do trovão que morto
pousou na estátua de Têmis,
à Harvard levando a fugitiva! 

 
O coração acelerado batia
Na bateria de Sandy, sempre
Alegre, espontânea e ativa,
Com um toque de inocência;
Buscava o sincronismo e harmonia
De todas as partes a cada batida
– como a pele do seu instrumento
era forte, flexível e receptiva!
 
Personalidade e atitude se via
Na guitarra elétrica, a lira de Lita
– a barulhenta e feroz Rainha do Metal,
considerada demasiado “masculina”!
 
Mas a beleza se via na pele em neve,
Pelos cabelos de raios de sol aquecida
Como a voz de cereja em calda – derretida!
 
A beleza, a moda e a vaidade
Víamos na performance exagerada
E na voz da púbere sensualidade
Do rock simples, cru e nu, no visual
Erótico e condizente, transgressor,
De postura agressiva – ela buscava
o som tradicional que não cantava;
amava a Bowie, com quem brincava
na famosa contagem regressiva!  
Aos ouvidos seu nome frutado soava
Fresco em um sussurro de cereja: – Cherie!

 
 
Lado A: Bomba de Cereja!
 
Ah, Cherie, vocês não quiseram ser flores;
Frutas podres preferiram ser, mas você
Quis ser fresca e suculenta: uma cereja!
 
Tentaram contê-la em compota,
Mas você nunca se comporta,
Explode como bomba de creme
– não, de cereja: CHERRY BOMB!
 
Esse anjo de Los Angeles
Trouxe em suas asas o perfume
De fruta fresca que inspirou
Uma composição sobre ela
Em sua audição para vocal,
E desde então a música
E a musa nos palcos passaram
A se confundir: virou seu tema!
 
Não consigo vê-la como Cherie
Currie; sempre será Cherry,
De aparência delicada e doce,
Mas suculenta e explosiva
– a cereja que explode
na boca ao ser mordida –
De apelido CHERRY BOMB! 

 
Cada show era a degustação
De um bolo recheado de rebeldia,
Protesto político, subversão
E sensualidade – o bolo explodia
e espalhava o chantilly delicioso,
pois era ela a desejada cereja!
 
Ondas de choque gerava
A “bomba de cereja” a cada
Explosão, provocando reações
Contrárias de rejeição,
Preconceito, agressão,
Xingamentos e sabotagens
– o mundo não estava pronto
para a primeira banda de rock
feminina, adolescente e erótica!
 
Era um exagero de luxúria:
Cantava de espartilho, calcinha,
Ligas e meias arrastão, gerando
Uma redundância deliciosa
Entre o visual, a música
E a mensagem desejada
– piada, provocação, protesto
ou erotismo? Diga o que acha!

 
As voltas do microfone na macia
Coxa, enroscado como serpente
E em riste desafiador servia
Para sua língua suculenta
E sibilante cantar e dar botes
Aos padrões sociais vigentes!
 
A contagem regressiva acompanhava
A bateria para a explosão selvagem
E sensual na voz frutada que gritava:
“Olá mundo, sou sua garota selvagem,
Sou sua tchi tchi tchi tchi tchi
CHERRY BOMB!” (bomba de cereja)
 
 
Lado B: Flor de Cerejeira!
 
Eram as polêmicas garotas
Um sucesso já reconhecido
Antes da grande turnê europeia,
No histórico show em Starwood
– o fulgor das estrelas iluminava
até o bosque mais escuro!
 
No país da flor de cerejeira,
Teve a cereja e suas frutas
Uma doce recepção com sabor
De Beatlemania, mas a sensual
Cherie de lingerie no livreto
Da turnê aumentou a tensão
Entre a banda que não se afinava
– a corda quase arrebentava
e comprometia toda a harmonia!
Fora de ritmo a turnê terminaria
Com um descaso amplificado:
A famosa “crise do Thunderbird
E a fuga do baixo abandonado! 

 
Pouco depois, das “fugitivas”,
Foge a cereja, e com isso perde
O bolo o seu sabor e encanto:
Chega ao fim em pouco tempo
– flores de cerejeira para o enterro!
 
Como ocorre nos pomares,
Substâncias tóxicas envenenam
As frutas, que alucinadas caem
Ao solo em um final químico
Alucinante, mas não foi só isso!
 
O criador e empresário da banda,
Foi também o criador da maioria
De seus problemas, e foi sua ruína
– aquele que o sucesso plantou,
com voracidade o colheu e ceifou!
 
Havia problemas financeiros,
Egoísmo, muita agressividade,
Grandes conflitos, vaidade,
Paixões intensas e “brigas
De namoradas” – o espartilho
como “Pomo da Discórdia”
muita atenção não merecia!
 
Teve a banda uma história
Tão breve e intensa quanto
A explosão no ápice do prazer
Erótico, ou como no deplorável
Êxtase químico viciante, mas sua
Marca é tão profunda e impactante
Que influencia o Rock até hoje,
E merece esse poético tributo!
 
Mas isso é mais que um tributo:
São versos em honra de Cherie,
Que tentou carreira solo e de atriz,

– sua música pôde finalmente
buscar e seus sonhos viver!
 
A ninfa se tornou diva,
E continua a encantar
Com sua beleza e talento,
Mas sinto saudades dos cortes
E penteados de sua aurora
E do seu tempo áureo de glória
– não me lembro da bomba
de cereja ser detonada
por seu atraente pavio loiro;
apenas lembro da contagem
regressiva para a explosão
de sensualidade e rebeldia :
“Hello world I'm your wild girl
I'm your ch ch ch ch ch
CHERRY BOMB!“
 
11/09/2013
 
 
Fotoimagens promocionais da banda sobre imagens da internet sem identificação de autoria. Busco exaustivamente a autoria de cada imagem, mas nem sempre a encontro. Caso alguém conheça sua autoria, por favor, me informe para que eu possa identificar a imagem e dar o merecido crédito ao artista!

Nota sobre o áudio: trecho de "Runaway", da cantora Loleatta Holloway; Cherry Bomb, da banda The Runaways, na voz da vocalista Cherie Currie; Cherry Bomb, da banda The Runaways, na voz da compositora, Joan Jett.


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Jair F da Silva Jr
Enviado por Jair F da Silva Jr em 12/09/2013
Alterado em 22/08/2018
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